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1ª Parte — 11 a 21 de julho

Reserva de Bilhetes

quinta — 11/07/2019 — 21h30

Drama - BE/NL- 2018, M/14, 109 min. V. O. em Francês e Flamengo/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Lukas Dhont
Argumento: Lukas Dhont, Angelo Tijssens 
Fotografia: Frank van den Eeden
Com: Victor Polster, Arieh Worthalter, Oliver Bodart 

 

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“I don’t want to be an ‘example’ – I want to be a girl”, responde Lara a seu pai, quando este a felicita pelo seu comportamento exemplar. Lara, uma jovem transgénero de 15 anos que aspira a ser uma bailarina profissional, muda-se com o seu pai e irmão pequeno para frequentar uma  academia de ballet de renome. Encontra-se num momento crítico: em plena puberdade, a prova na mais prestigiada escola de ballet na Bélgica e em pleno tratamento hormonal.

Em 2009, Dhont leu um artigo de jornal sobre Nora Monsecour, uma bailarina belga transgénero. De imediato o jovem realizador propôs-lhe realizar um documentário sobre a sua vida, mas ela recusou. No entanto, Monsecour esteve muito envolvida no casting e rodagem do filme. 

Girl, “Câmera de Ouro” no Festival de Cannes em 2018, é a primeira longa-metragem de Lukas Dhont, culminação das suas 3 curta-metragens anteriores sobre histórias de jovens em crise. É também a descoberta do talentoso Víctor Polster como actor.

2018: Festival de Cannes: “Un Certain Regard” - Prémio Melhor Actor Victor Polster 
2018: Festival de Cannes: Prémio FIPRESCI
2018: Festival de Cannes: Câmera de Ouro - Lukas Dhont
2018: European Film Awards: Melhor Descoberta Europeia

sexta — 12/07/2019 — 21h30

Drama - CO, 2019, M/14 - 125 min. V. O. em Guc, Espanhol e Inglês/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Cristina Gallego e Ciro Guerra
Argumento: Maria Camila Arias, Jacques Toulemonde, Cristina Gallego, Ciro Guerra 
Fotografia: David Gallego
Com: Carmina Martínez, José Acosta, Natália Reyes
 

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Situado na árida região costeira de Guajira, na Colômbia, entre um povo indígena conhecido como Wayuu, Pássaros de Verão acontece num período de vinte anos imediatamente após os anos de La Violencia - uma sangrenta guerra civil onde centenas de milhares foram mortos - e termina pouco antes do início da narcocracia dos anos 80, liderada por Pablo Escobar.

O foco no estilo de vida simples dos Wayuu, como eles são guiados por conversas com os seus antepassados mortos ou confiam na interpretação de sonhos para decidir os cursos de acção, fornece a Pássaros de Verão uma atmosfera fantasmagórica, ocasionalmente surrealista.

Cristina Gallego e Ciro Guerra exploraram a perda de culturas indígenas. Os Wayuu têm resistido ou ignorado tentativas de assimilação; os seus códigos morais, ritos, rituais e costumes permaneceram inalterados por tanto tempo, que os mais velhos se gabam de ter resistido ao império espanhol e inglês. Pássaros de Verão é fundamentalmente sobre o conflito entre a tradição e a modernidade; códigos de honra e reciprocidade destruídos pela ganância, materialismo e desconfiança. 

2018: Cairo International Film Festival: Melhor Argumento 
2018: Chicago International Film Festival: Melhor Direcção de Arte, Melhor Fotografia 
2018: Festival de Havana: Melhor Filme 
2018: London Film Festival: Melhor Filme - Menção Honrosa 

sábado — 13/07/2019 — 21h30

Comédia, Biografia, Crime - US, 2018, M/14, 135 min. V. O. em Inglês/Legendado em Português 

Realização: Spike Lee
Argumento: Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott e Spike Lee
Fotografia: Chayse Irvin 
Com: John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier, Topher Grace, Alec Baldwin

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BlacKkKlansman: O Infiltrado retrata a questão racial nos Estados Unidos no final da década de 1970. O protagonista é Ron Stallworth (John David Washington), um polícia afro-americano de Colorado Springs, que consegue infiltrar-se com sucesso na filial local do Ku Klux Klan com a ajuda de um colega judeu (Adam Driver). 

Baseado no livro de memórias do próprio Stallworth, BlacKkKlansman é um filme entre o drama e a comédia em que o passado é comparado directamente com o contexto político dos Estados Unidos de 2018. Por mais que Spike Lee jogue com a mecânica da fantasia da blaxploitation, por fim não deixa ninguém com dúvidas sobre o que é real.

2018: Festival de Cannes: Grande Prémio do Júri 
2019: Óscar:  Melhor Argumento Adaptado 
2019: Prémios BAFTA: Melhor Argumento Adaptado   
2019: Prémios CinEuphoria: Melhor Filme 
2019: Denver Film Critics Society: Melhor Argumento Adaptado

domingo — 14/07/2019 — 21h30

Comédia - FR - 2018, M/12, 88 min. V. O. em Francês/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Judith Davis
Argumento: Judith Davis, Cécile Vargaftig
Fotografia: Emilie Noblet
Com: Judith Davis, Malik Zidi, Claire Dumas

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Angèle tinha 8 anos quando o primeiro McDonalds’s abriu em Berlim Oriental. Ela não se resigna ao facto de ter nascido num tempo de cepticismo político generalizado. Angèle vem de uma família de activistas, embora a sua mãe tenha abandonado a luta política para se mudar para o campo, e a sua irmã escolheu o mundo dos negócios. Apenas o seu pai, um velho maoista com quem ela volta a viver, permaneceu fiel aos seus ideais.

Esta é a estreia como realizadora da actriz e activista Judith Davis. O filme é o resultado de 10 anos de espectáculo da peça de teatro, Tout ce qui nous reste de la revolution, c'est Simon, que, por sua vez, é uma consequência de reflexões, experiências e dúvidas político-existenciais do colectivo “L’avantage du doute”, do qual Davis faz parte.
 
A peça de teatro é inspirada na seguinte citação de Marguerite Duras "Para mim, a perda política é antes de tudo a perda de si (…) a perda da imprudência tanto quanto da moderação, a perda de um excesso tanto quanto a perda de uma medida, a perda da loucura, da ingenuidade (...)”

E tanto o filme quanto a peça de teatro giram em torno da questão: Ainda podemos falar sobre o sentimento revolucionário?

2018: Film Francophone D’Angoulême: Prémio do Júri 

segunda — 15/07/2019 — 21h30

Drama - ES, 2017, M/12, 97 min. V. O. em Catalão/Legendado em Português/English Subtitles

Realização e Argumento: Carla Simón
Fotografia: Santiago Racaj
Com: Laia Artigas, Paula Robles, Bruna Cusí, David Verdaguer, Fermí Reixach

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Verão 1993, escrito e realizado por Carla Simón, estreou no Festival de Cinema de Berlim (2017), para aclamação imediata. O filme retrata Frida, uma menina de seis anos, que após a morte da sua mãe vê-se forçada a abandonar Barcelona para juntar-se à família do tio no campo. Ao sentir dificuldades em esquecer a mãe e adaptar-se à nova vida, Frida vai descobrindo o seu novo ambiente, uma antiga fazenda de pedra numa área montanhosa perto de uma densa floresta.

Com Verão 1993, a sua longa-metragem de estreia, Carla Simón consegue criar um mundo rico e vívido a partir da sua própria pré-adolescência turbulenta, embora o filme se desdobre de um modo que torna a sua natureza profundamente pessoal inconfundível.

A cinematografia e os cenários são uma fonte óbvia de prazer visual e emocional, mas é a um nível mais profundo que este filme produz o seu maior impacto. Diz muito sobre a importância da família e a forma como as crianças pequenas absorvem e vivem uma perda. Este é um filme que deixa uma marca profunda.

2017: Festival Internacional de Berlim: Melhor Primeiro Filme
2017: Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires: Melhor Realização 
2018: Prémios Goya: Melhor Director, Melhor Actor Secundário, Melhor Actriz 

terça — 16/07/2019 — 21h30

Animação, Ação, Drama - BR, 2018, M/6, 73 min. V. O. em Português/English Subtitles

Realização: Gabriel Bitar, André Catoto, Gustavo Steinberg
Argumento: Eduardo Benaim, Gustavo Steinberg
Direcção Artística: Chico Bela, Vini Wolf
Com: Denise Fraga, Pedro Henrique, Matheus Nachtergaele, Mateus Solano 

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A longa-metragem de animação brasileira Tito e os Pássaros, realizado por Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto, conta a história de um menino que é responsável, juntamente com o seu pai, por encontrar a cura para uma doença. O mundo foi dominado por uma epidemia: um vírus está paralisando as pessoas com medo, encolhendo-as bolhas e eventualmente transformando-as em rochas. 

Visualmente, Tito e os Pássaros mistura vários estilos de pintura e animação numa bela fusão com uma partitura musical e cinematográfica que certamente irá maravilhar o público. A animação é excelente. É bonita e subtil, deixando espaço para o espectador sintetizar e sonhar.

2018: Catalonian International Film Festival: Anima't Award
2019: Prémio do Público da Competição de Longa-metragens da Monstra – Festival de Animação de Lisboa

quarta — 17/07/2019 — 21h30

Drama, Thriller - ES, 2018, 133 min. M/12. V. O. em Espanhol/Legendado em Português/English Subtitles

Realização e Argumento: Asghar Farhadi 
Fotografia: José Luis Alcaine
Com: Penélope Cruz, Javier Bardem, Ricardo Darín

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Todos lo Saben, escrito e realizado por Asghar Farhadi (The Salesman, About Elly), duas vezes premiado com o Oscar, é um thriller protagonizado por Javier Bardem, Penélope Cruz e Ricardo Darín. O enredo passa-se em Espanha, perto de Madrid, e retrata o sequestro de uma adolescente numa noite de festa entre familiares, deixando todos em total desespero. Laura é uma mulher espanhola que vive em Buenos Aires, que retorna à sua terra natal com a sua filha Irene, de 16 anos, e o seu filho Diego, de oito, para o casamento da sua irmã. 

O enredo é rico e, à medida que o filme evolui, um grande número de segredos vão-se revelando dentro do círculo familiar, um facto que alimenta o mistério e o suspense da história. Embora excepcionalmente bem filmado e bem acompanhado pelas grandes prestações dos actores, Todos lo Saben transforma-se num estudo mais sombrio sobre o psicológico das pessoas sob pressão extrema, do que o thriller acerca de um sequestro, como tem sido comercializado. O filme examina o que pode acontecer quando a pressão intensa faz com que os segredos há muito enterrados subam à superfície.

2018: Festival de Cannes: Nomeado Palma de Ouro 
2018: The Platino Awards for Iberoamerican Cinema: Melhor Actor, Melhor Actriz 

quinta — 18/07/2019 — 21h30

Documentário - UK, 2018, M/12, 115 min. V. O. em Inglês/Legendado em Português

Realização, Argumento e Fotografia: Mark Cousins 

Com: Mark Cousins, Beatrice Welles, Orson Welles

 

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Uma carta de amor a Orson Welles. Narrada por Mark Cousins explora a vida, os amores, a filosofia e os filmes de Welles através de centenas dos seus esboços, pinturas e desenhos a carvão. A voz de Cousins é bem conhecida, porque foi apresentador de uma série de filmes de culto da BBC e dirigiu, em 2011, The Story of Film: An Odyssey, 15 episódios de televisão sobre a história do cinema. 

Cousins ​​alterna entre fazer perguntas a Welles, indagar sobre o mais recôndito da sua mente, e dar-lhe notícias do futuro: uma Nova Iorque transformada, um mundo com internet, “um tipo que pensa ser Charles Foster Kane” na Casa Branca. E Welles responde.

Beatrice Welles, a filha de Orson Welles, pediu na edição de Cannes de 2018 que a Netflix reconsiderasse a sua decisão de retirar do programa do Festival The Other Side of the Wind, obra póstuma de Welles. Frente à negativa da Netflix, o festival decidiu incluir The Eyes of Orson Welles, vencendo o “Olho de Ouro”.

2018: Festival de Cannes: Prémio Olho de Ouro - Menção Especial 
2018: Odessa International Film Festival: Nomeado Melhor Documentário Europeu
2018: Edinburgh International Film Festival: Nomeado Melhor Documentário

sexta — 19/07/2019 — 21h30

Fantasia, Drama - SE, 2018, M/12, 101 min. V. O. em Sueco/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Ali Abbasi 
Argumento: Ali Abbasi, Isabella Eklöf (Romance: John Ajvide Lindqvist )
Fotografia: Nadim Carlsen
Com: Eva Melander, Eero Milonoff, Viktor Akerblom 

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Tina é guarda aduaneira entre a Suécia e a Finlândia. Possui a estranha habilidade de cheirar os sentimentos das pessoas. A sua eficácia é formidável, já que esse sexto sentido permite identificar os contrabandistas. Mas quando ela se vê cara a cara com Vore, um homem aparentemente suspeito, as suas habilidades são colocadas à prova pela primeira vez… 

Uma história de romance, atravessada por uma trama policial que, longe de ser anedótica, fornece ferramentas para aprofundar os dois personagens principais. Se Tina se sente atraída é porque  finalmente encontra alguém que a trata como igual. Um romance que nunca se baseia nas questões superficiais clássicas de género , porque o vínculo entre ambos vai às raízes da identidade de cada um e às suas visões do mundo, tirando grande partido das belas imagens que ligam os personagens com a natureza. Enquanto o personagem de Tina progride, Border questiona diversos conceitos naturalizados pela sociedade a partir da beleza normativizada do amor romântico ou da vingança.

Com o mesmo argumentista do Let the Right One In, o jovem realizador sueco-iraniano, Ali Abbasi, atinge em Border uma história poderosa e original que beira o fantástico. Border re-imagina parte do folclore regional, inserindo-o no mundo contemporâneo sem que isso comprometa a credibilidade ou a solidez da história.

2018: Festival de Cannes: “Un Certain Regard” -  Prémio Melhor Filme 
2018: Hamptons Film Festival: Prémio especial de Interpretação (Melander e Milonoff)
2018: Festival de Valladolid - Seminci: Secção Oficial

sábado — 20/07/2019 — 21h30

Comédia, Drama - Portugal, 2018, M/14, 96 min. V. O. em Português/English Subtitles 

Realização e Argumento: Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt 
Fotografia: Charles Ackley Anderson 
Com: Carloto Cotta, Cleo Tavares, Anabela Moreira, Margarida Moreira, Carla Maciel 

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Diamantino é uma super estrela do futebol mundial, visto até como um dos melhores do mundo, que carrega às costas o símbolo de Portugal no campeonato do mundo. Diamantino é uma estrela que brilha pelo campo todo, ao lado de figuras caninas bem felpudas e gigantes (são aquilo que ele vê no relvado a par das balizas), quando, de súbito perde o seu mojo, o seu brilho, entrando então numa espiral negativa que acaba com a sua carreira da pior forma.

Admirado até então pela sua destreza com os pés e pela esperança que produzia junto do seu país, tornam-se por demais evidentes duas características que se misturam em doses idênticas no desenrolar da história: a sua ingenuidade e a sua ignorância. É desta forma que o ícone internacional inicia uma odisseia delirante de auto-reflexão sempre na busca do propósito da vida, onde se depara com temas sobre os quais nunca antes tinha reflectido: o neofascismo, a crise de refugiados e a modificação genética.

Com Carloto Cotta como protagonista, esta comédia dramática, com a assinatura de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, estreou no Festival de Cinema de Cannes, onde arrecadou o Grande Prémio da Semana da Crítica e o Palm Dog Award (melhor actuação canina num filme). 

2018: Festival de Cannes: Grande Prémio da Semana da Crítica; Palm Dog
2018: Cine Ceará Festival Ibero-americano de Cinema: Prémio Melhor Montagem
2018: Philadelphia Film Festival: Prémio Especial do Júri - Longa-metragem de Ficção 
2018: Portland International Film Festival: Prémio do Júri - Best of Ways of Seeing

 

domingo — 21/07/2019 — 21h30

Drama - FR, 2000, M/6, 82 min. V. O. em Francês/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Agnès Varda 
Fotografia: Stephane Krausz, Didier Rouget, Didier Doussin, Pascal Sautelet e Agnès Varda
Com:  Agnès Varda, Bodan Litnanski, François Wertheimer

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Com este filme, pretendemos homenagear a recentemente falecida Agnès Varda, considerada por alguns críticos de cinema como “a avó da Nouvelle Vague” e uma das pioneiras do cinema feito por mulheres e do cinema feminista. Nos últimos anos já tinha recebido importantes homenagens, como a “Palma de Ouro” de carreira do Festival de Cannes em 2015, o “Donostia” de San Sebastián em 2017 ou o “Óscar” honorário a toda a sua trajetória em 2017.

O quadro As Respigadoras de Jean-François Millet, onde um grupo de mulheres recolhe espigas de trigo sob o intenso sol da tarde, é o ponto de partida deste documentário, no qual percorre diferentes sítios do país à procura de histórias que se liguem com a ideia de colheita. Varda, como cineasta, também é uma glaneuse (respigadora, recolectora), e daí este título.  

Os Respigadores e a respigadora faz uma crítica feroz ao consumismo desenfreado do nosso tempo, defendendo a reciclagem e o decrescimento voluntário como a única saída.

2001: Círculo de Críticos de Nova Iorque: Prémio Melhor Documentário
2001: Prémios do Cinema Europeu: Melhor Documentário
2001: Associação de Críticos de Chicago: Nomeado Melhor Documentário 
2015: Festival de Cannes: Palma de Ouro de Carreira 

2ª Parte — 1 de Agosto a 11 de Agosto

Reserva de Bilhetes

quinta — 1/08/2019 — 21h30

Drama - KR, 2018, M/12, 148 min. V.O. em Coreano/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Lee Chang-Dong 
Argumento: Lee Chang-Dong, Jungmi Oh (Conto: Haruki Murakami)
Fotografia: Kyung-Pyo Hong
Com: Yoo Ah In, Yeun Steven, Jun Jong-seo e Seong-kun Mun

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Burning, do realizador coreano Lee Chang-Dong, inspirado no conto Os Celeiros Incendiados de Haruki Murakami, foi aclamado pela crítica no Festival de Cannes e considerado como um dos melhores filmes de 2018.

Jongsu é um jovem que se encontra casualmente com Haemi, uma amiga da infância. Praticamente quando a relação começa a arrancar, ela vai para África deixando-o a cuidar da sua gata. Quando ela regressa, Jongsu descobre que Haemi conheceu outro rapaz, um jovem rico, ao que ele não hesita em comparar com O Grande Gatsby. Pouco depois Haemi desaparece… 

Entre Faulkner e Murakami, Burning  tem um magnetismo difícil de explicar. Há um tom de suspense, mas do ponto de vista pessoal e introspectivo. Uma história de obsessão e incerteza, onde a vida dos personagens se desenvolve naturalmente. Depois de um tempo, é muito provável que a atmosfera de Burning nos regresse à cabeça.

2018: Festival de Cannes: Selecção Oficial, Prémio FRIPESCI
2018: National Board of Review (NBR):  Top dos 5 Melhores Filmes Estrangeiros
2018: Cahiers du Cinema: Nomeado para Melhor filme (4º lugar)
2019: IndieLisboa: Nomeado para Prémio Silvestre Melhor Longa-metragem

sexta — 2/08/2019 — 21h30

Documentário - US, 2018, M/12, 130 min. V. O. em Inglês/Legendado em Português 

Realização e Argumento: Michael Moore
Fotografia: Luke Geissbuhler, Jayme Roy
Com: Michael Moore, David Hogg

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Michael Moore, grande realizador de documentários, vencedor de um Óscar por Bowling for Columbine e a Palma de Ouro por Fahrenheit 9/11, retrata uma vez mais a realidade sociocultural dos EUA e o momento político que o país vive neste momento.

O título Fahrenheit 11/9 faz referência ao seu aclamado documentário Fahrenheit 9/11 pela data na qual Donald Trump foi declarado presidente eleito, a 9 de Novembro de 2016. Michael Moore retrata a eleição presidencial de 2016 e os dois primeiros anos de mandato do presidente, tentando responder às duas questões mais importantes da era Trump: “Como diabo chegámos nós aqui?” e “Como é que saímos?" 

Moore espera que os factos mostrados no seu documentário sejam tão devastadores que o filme contribua para minar a credibilidade que Trump tem entre os seus seguidores. 

2018: Writers Guild Awards (WGA): Nomeado Melhor Argumento de Documentário
2018: Prémios Razzie - Pior Actor (Trump)

sábado — 3/08/2019 — 21h30

Drama - Fr/IL, 2019, M/14, 123 min. V. O. em Francês, Inglês e Hebraico/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Nadav Lapid
Argumento: Nadav Lapid, Haim Lapid 
Fotografia: Shai Goldman
Com: Tom Mercier, Quentin Dolmaire, Louise Chevillotte

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O drama migratório incomum do co-argumentista e realizador israelita Nadav Lapid segue Yoav (Tom Mercier), um jovem israelita determinado a apagar sua identidade nacional e tornar-se francês. Com a ajuda de um dicionário franco-israelita, ele resolve parar de falar hebraico, deixar para trás o seu passado conturbado e fazer o teste de naturalização.

Lapid apresenta variantes da identidade israelita em conflito, dando continuidade à investigação temática realizada nos seus dois primeiros filmes, Policeman e The Kindergarten Teacher. Ao colocar Synonyms fora de Israel, Lapid introduz pela primeira vez uma dimensão internacional explícita. Yoav imagina a França como uma utopia, cujos valores igualitários fundamentais - liberdade, igualdade, fraternidade - e estrita separação entre a Igreja e o Estado são o oposto dos valores de Israel.

Nadav Lapid continua a exibir uma mistura singular de intensidade e absurdo, bem como uma atenção distinta à arte cinematográfica. Trabalhando novamente com Shai Goldman (Director de Fotografia), ele cobre cenas inteiras com longos e médios close-ups, enquanto 'empurra' os personagens (e o espectador) até ao ponto de ruptura.

2019: Berlin International Film Festival: Urso de Ouro - Melhor Filme, Prémio FRIPESCI
2019: Sydney Film Festival: Nomeado Melhor Filme

domingo — 4/08/2019 — 21h30
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Para Roberto Rossellini, este é o seu filme mais original.  La macchina ammazzacattivi descobriu-se há poucos anos, depois de ter sido restaurada. Rosselini baseia-se no neorrealismo ou no realismo como ponto de partida, para então encontrar um caminho próximo à fábula, a partir de um texto de Eduardo de Filippo. Rossellini permite espaço para a fantasia, ainda que mantenha a improvisação respeitante ao guião, a rodagem documental de cenas reais despojadas de artifícios cinematográficos e a genuína mistura de actores profissionais com actores amadores no elenco dos seus filmes. 

Um modesto fotógrafo de uma pequena cidade costeira recebe de um estranho personagem — que lhe aparece apresentando-se como Santo André — o dom de petrificar qualquer pessoa ao tirar a sua fotografia. Celestino, assim se chama o fotógrafo, institui-se deste modo como uma espécie de justiceiro que decide indiscriminadamente sobre o bem e o mal. Celestino perde o controle da máquina: agora é ela quem o domina.    

Uma fábula sobre a desconfiança no poder da câmara (ou do cinema) para reproduzir a vida.

segunda — 5/08/2019 — 21h30

Drama, Thriller - US, 2017, M/16, 133 min. V.O. em Inglês/Legendado em Português

Realização e Argumento: Paul Schrader 
Fotografia: Alexander Dynan
Com: Amanda Seyfried, Ethan Hawke, Cedric the Entertainer, Victoria Hill

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Toller (Ethan Hawke) é um ex-capelão militar que, após a morte do seu filho, decide assumir as rédeas de uma pequena igreja calvinista, First Reformed, onde quase ninguém vai e que cumpre uma função mais turística que religiosa. Até que aparece Mary a pedir ajuda para o seu marido, um ecologista radical que está a passar por uma profunda crise.

Schrader sempre sentiu uma predilecção pelo cineasta francês Robert Bresson. Portanto, não é de estranhar que ele tenha voltado a uma das principais obras daquele realizador, Diário de um Pároco de Aldeia. Também tem muito em comum com A Luz de Inverno (Os Comungantes) de Bergman. Um Ozu nos silêncios, nas breves meditações intercaladas na película do filme. E como não podia ser menos, temos o capelão Toller, eco de Travis do argumento do próprio Schrader para Taxi Driver.   
 
Com elementos de suspense e uma consistência formal realista, First Reformed está cheio de fugas e mudanças inesperadas. Um filme alegremente contra corrente que lida, entre outras coisas, com a solidão, a espiritualidade e a ameaça das alterações climáticas.

2018: Prémios Gotham: Prémio Melhor Argumento, Melhor Actor 
2018: Toronto Film Critics Association Awards: Prémio Melhor Actor, Prémio Melhor Argumento Original
2019: Óscar: Nomeado Melhor Argumento Original
 

terça — 6/08/2019 — 21h30

Drama - CH/FR, 2018, 84 min. M/14 - V. O. em Francês e Inglês/Legendado em Português/ English Subtitles

Realização e Argumento: Jean-Luc Godard 
Fotografia: Fabrice Aragno 
Com: Jean-Luc Godard (Narrador), Anne-Marie Miéville (Narrador), Dimitri Basil

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A mais recente e prolífica obra de Jean-Luc Godard, O Livro da Imagem, é o ápice do seu cinema de simbolismo e colagem. Não há actores. No máximo, ouvimos a voz eloquente e introspectiva de Godard, hoje com 88 anos, narrando o filme e refletindo sobre o nosso tempo, humanidade, sociedade e cinema. 

Para Godard, o cinema é o livro das imagens do século passado e do século de hoje; a documentação da história moderna e contemporânea. Através do Livro da Imagem, Godard convida-nos a reflectir sobre a história e constrói uma viagem numa colagem incessante de imagens e sons que permeiam a história da arte nas suas mais diferentes formas. Colando cenas de filmes, de reportagens, de vídeos caseiros e mesmo de desenhos, o cineasta aborda as funções do tempo e do espaço, utilizando em particular o caso das imagens sobre o mundo árabe e como elas são percebidas pelo mundo ocidental. É o trabalho de um cineasta que reflecte sobre o passado, sobre os seus filmes e os filmes do seu tempo - enquanto olha adiante, para as mudanças radicais que virão no cinema e no mundo em geral.

2018 : Festival de Cannes: Palma de Ouro Especial 
2018: International Cinephile Society Awards: Grande Prémio

quarta — 7/08/2019 — 21h30

Drama - IT/CH/DE/FR, 2018, M/12, 125 min. V. O. em Italiano/Legendado em Português/English Subtitles

Realização e Argumento: Alice Rohrwacher
Fotografia: Helene Louvart
Com: Adriano Tardiolo, Luca Chikovani, Alba Rohrwacher, Sergi López

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Alice Rohrwacher, realizadora de O País das Maravilhas (2014), regressa com um filme que mistura o neorrealismo, a magia e a crítica social. 

Lázaro, um jovem camponês de uma bondade excepcional, vive na La Inviolata, uma aldeia que permaneceu isolada do mundo e é controlada pela Marquesa Alfonsina de Luna. Um verão, ele torna-se amigo de Tancredi. Entre eles surge uma amizade que faz com que Lázaro viaje no tempo e que o leva a conhecer o mundo actual. 

É O Idiota de Dostoiévski. Um personagem sábio e que, neste caso, não tendo perdido o  conhecimento da sua vida passada, é o único que sabe reconhecer os diferentes tipos de plantas. Um piscar de olho, sem dúvida, a Os Respigadores e a respigadora de Agnès Varda.

2018: Festival de Cannes: Melhor Argumento (ex aequo)
2018: Prémios do Cinema Europeu: 4 nomeações (incluindo Melhor Filme)
2018: Festival de Sitges: Prémio Especial do Júri, Secção Oficial em Competição 
2018: National Board of Review (NBR): Melhor Filme Estrangeiro do Ano 

quinta — 8/08/2019 — 21h30

Drama - DE/FR, 2018, M/12, 101 min. V. O. em Alemão e Francês/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Christian Petzold
Argumento: Christian Petzold (Romance: Anna Seghers)
Fotografia: Hans Fromm
Com: Franz Rogowski, Paula Beer, Godehard Giese 
 

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Baseado livremente no romance de Anna Seghers de 1944. Como em Visa Transit, o filme justapõe passado, presente e futuro. O filme acompanha Georg, um técnico de rádio e televisão alemã, refugiado ilegalmente em França, que recebe de um parceiro a missão de entregar duas cartas a um escritor em Paris. Georg descobre que o escritor cometeu suicídio e que deixou um romance inacabado, um episódio que nos lembra a trágica morte de Walter Benjamin em 1940, também em França. As circunstâncias constrangedoras levam Georg a fazer-se passar pelo escritor falecido para obter um visto e fugir para o México. 

A particular característica atemporal da história é uma declaração evidente diante de questões políticas e sociais que ainda se encontram em vigor.

No ano passado abrimos a Mostra com Western, da colega de Petzold na “Escola de Berlim”, Valeska Grisebach, com outro ponto de vista menos metafórico, mas igualmente crítico de uma Europa e um mundo que força a mobilidade geográfica e a marginalidade, o que propicia um tipo de relações que não se chegam a desenvolver com fluidez.

2018: Festival de Berlim:  Selecção Oficial de longa-metragens em competição 
2018: BAFICI:  Selecção Oficial (Fora de Concurso) 
2018: Prémios do Cinema Alemão: Nomeada Melhor Filme, Melhor Som 

 

sexta — 9/08/2019 — 21h30
Verão

Biografia, Música, Romance - RUS, 2018, M/12, 126 min. V. O. em Russo/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Kirill Serebrennikov 
Argumento: Mikhail Idov, Lili Idova, Iván Kapitonov, Kirill Serebrennikov
Fotografia: Vladislav Opelyants
Com: Teo Yoo, Irina Starshenbaum, Roman Bilyk

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O cineasta russo Kirill Serebrennikov (The Student) regressa ao grande ecrã com uma homenagem aos primeiros anos do rock russo. Leto (Verão) coloca-nos nos meandros do rock underground, em Leningrado, nos anos 80, inserindo-se num clima em que a mudança é pedida mas também sentida.

Um rockstar aclamado, Mike (Roman Bilyk), luta para promover o rock na decadente União Soviética, quando outro músico, Viktor Tsoi (Tee Yoo), surge como um novo talento promissor. Surge então um triângulo amoroso em torno destas duas personagens e a mulher de Mike, Natasha (Irina Starshenbaum). Juntos, eles vão mudar a trajetória do rock n'roll na União Soviética.

No fundo, esta é uma história de músicos que lidam com várias camadas de frustração - cultural, artística, pessoal - mas que conseguem superar-se, de uma forma ou de outra. 
Na maior parte das vezes, Leto é filmado num preto e branco lustroso que às vezes pode parecer arenoso, mas na maioria das vezes transforma Leto num devaneio sobre rock 'n' roll, funcionando como uma história mais universal de luta e de sonhos. 

2018: Festival de Cannes: Melhor Compositor; Nomeado Palma de Ouro 
2019: Russian Guild of Film Critics: Melhor Realizador, Melhor Compositor
2019: Nika Awards: Melhor Realizador, Descoberta do Ano (Roman Bilyk) 

sábado — 10/08/2019 — 21h30

Crime, Drama - JP, 2018, M/14, 120min. V. O. em Japonês/Legendado em Português/English Subtitles

Realização e Argumento: Hirokazu Koreeda 
Fotografia: Ryuto Kondô 
Com: Lily Franky, Sakura Andô, Kirin Kiki

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Galardoado com a “Palma de Ouro” no Festival de Cannes (2018), Shoplifters, de Hirokazu Koreeda, apresenta-nos uma família que vive à margem do resto da sociedade japonesa. Shoplifters é um filme brilhante e audacioso, intenso e surpreendente, um dos melhores de Koreeda. Muito devido às brilhantes performances do elenco, o resultado é um drama gratificante e profundamente comovente, revivendo temas de filmes anteriores como Nobody Knows (2004) e Like Father Like Son (2013). 

Apesar de toda a sua gentileza e calmaria, Shoplifters tem uma visão devastadoramente clara sobre o Japão moderno. Usualmente, o cinema japonês mostra-nos duas sociedades possíveis. Uma é bastante avançada, onde as pessoas vivem comodamente tirando proveito da tecnologia e do capitalismo. A outra retrata o mundo do crime organizado, onde ninguém parece dedicar-se aos delitos por fome. Por isso, Shoplifters surpreende mostrando com naturalidade as penúrias de uma classe trabalhadora que arduamente ganha aquilo que necessita para sobreviver, sem precisar de romantizar a pobreza nem tão pouco a delinquência. 

As lentas revelações, as interacções naturais e o espaçamento prudente entre o choque e a surpresa são prova de que este mestre cineasta está em perfeita sintonia com os seus desígnios e a sua arte.

 

2018: Festival de Cannes: Palma de Ouro

domingo — 11/08/2019 — 21h30
Filme apresentado pela realizadora Rita Azevedo Gomes

 

Drama - PT,  2018, M/12, 136 min. V. O. em Português e Alemão/English Subtitles

Realização e Argumento: Rita Azevedo Gomes
Adaptação e Diálogos: Rita Azevedo Gomes, Agustina Bessa-Luís (Conto: Robert Musil)
Fotografia: Acácio de Almeida
Com: Clara Riedenstein, Marcello Urgeghe, Rita Durão, Pierre Léon

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Em conjunto com a célebre e recentemente falecida escritora Agustina Bessa-Luís, Rita Azevedo Gomes adapta o segundo dos três contos que Robert Musil escreveu no livro Três Mulheres (1924). Esta história segue os dias de uma nobre lusa (Clara Riedenstein) que, depois de se casar com o barão Von Ketten (Marcello Urgeghe), permanece à espera do marido no castelo até ao final da guerra contra o bispo de Trento.

Da história de Musil surge a inspiração, a atmosfera do filme, mas à diferença do conto, o filme coloca o foco da história na vida da portuguesa, numa espera sem termo. Há uma estranha beleza no tempo parado; cenas como naturezas-mortas e pinturas flamengas. Não por estar suspensa, senão pelo facto de estar à espera, a batalha da portuguesa pode ser muito mais devastadora que a guerra do barão Von Ketten.

2018: Festival Mar del Plata: Selecção Oficial
2019: Festival de Berlim: Selecção Oficial - Forum

2019: Festival Internacional de Cinema de Las Palmas de Gran Canária: Prémio "Lady Harimaguada" de Ouro

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