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domingo — 11/08/2019
Filme apresentado pela realizadora Rita Azevedo Gomes

 

Drama - PT,  2018, M/12, 136 min. V. O. em Português e Alemão/English Subtitles

Realização e Argumento: Rita Azevedo Gomes
Adaptação e Diálogos: Rita Azevedo Gomes, Agustina Bessa-Luís (Conto: Robert Musil)
Fotografia: Acácio de Almeida
Com: Clara Riedenstein, Marcello Urgeghe, Rita Durão, Pierre Léon

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Em conjunto com a célebre e recentemente falecida escritora Agustina Bessa-Luís, Rita Azevedo Gomes adapta o segundo dos três contos que Robert Musil escreveu no livro Três Mulheres (1924). Esta história segue os dias de uma nobre lusa (Clara Riedenstein) que, depois de se casar com o barão Von Ketten (Marcello Urgeghe), permanece à espera do marido no castelo até ao final da guerra contra o bispo de Trento.

Da história de Musil surge a inspiração, a atmosfera do filme, mas à diferença do conto, o filme coloca o foco da história na vida da portuguesa, numa espera sem termo. Há uma estranha beleza no tempo parado; cenas como naturezas-mortas e pinturas flamengas. Não por estar suspensa, senão pelo facto de estar à espera, a batalha da portuguesa pode ser muito mais devastadora que a guerra do barão Von Ketten.

2018: Festival Mar del Plata: Selecção Oficial
2019: Festival de Berlim: Selecção Oficial - Forum

2019: Festival Internacional de Cinema de Las Palmas de Gran Canária: Prémio "Lady Harimaguada" de Ouro

sábado — 10/08/2019

Crime, Drama - JP, 2018, M/14, 120min. V. O. em Japonês/Legendado em Português/English Subtitles

Realização e Argumento: Hirokazu Koreeda 
Fotografia: Ryuto Kondô 
Com: Lily Franky, Sakura Andô, Kirin Kiki

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Galardoado com a “Palma de Ouro” no Festival de Cannes (2018), Shoplifters, de Hirokazu Koreeda, apresenta-nos uma família que vive à margem do resto da sociedade japonesa. Shoplifters é um filme brilhante e audacioso, intenso e surpreendente, um dos melhores de Koreeda. Muito devido às brilhantes performances do elenco, o resultado é um drama gratificante e profundamente comovente, revivendo temas de filmes anteriores como Nobody Knows (2004) e Like Father Like Son (2013). 

Apesar de toda a sua gentileza e calmaria, Shoplifters tem uma visão devastadoramente clara sobre o Japão moderno. Usualmente, o cinema japonês mostra-nos duas sociedades possíveis. Uma é bastante avançada, onde as pessoas vivem comodamente tirando proveito da tecnologia e do capitalismo. A outra retrata o mundo do crime organizado, onde ninguém parece dedicar-se aos delitos por fome. Por isso, Shoplifters surpreende mostrando com naturalidade as penúrias de uma classe trabalhadora que arduamente ganha aquilo que necessita para sobreviver, sem precisar de romantizar a pobreza nem tão pouco a delinquência. 

As lentas revelações, as interacções naturais e o espaçamento prudente entre o choque e a surpresa são prova de que este mestre cineasta está em perfeita sintonia com os seus desígnios e a sua arte.

 

2018: Festival de Cannes: Palma de Ouro

sexta — 9/08/2019
Verão

Biografia, Música, Romance - RUS, 2018, M/12, 126 min. V. O. em Russo/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Kirill Serebrennikov 
Argumento: Mikhail Idov, Lili Idova, Iván Kapitonov, Kirill Serebrennikov
Fotografia: Vladislav Opelyants
Com: Teo Yoo, Irina Starshenbaum, Roman Bilyk

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O cineasta russo Kirill Serebrennikov (The Student) regressa ao grande ecrã com uma homenagem aos primeiros anos do rock russo. Leto (Verão) coloca-nos nos meandros do rock underground, em Leningrado, nos anos 80, inserindo-se num clima em que a mudança é pedida mas também sentida.

Um rockstar aclamado, Mike (Roman Bilyk), luta para promover o rock na decadente União Soviética, quando outro músico, Viktor Tsoi (Tee Yoo), surge como um novo talento promissor. Surge então um triângulo amoroso em torno destas duas personagens e a mulher de Mike, Natasha (Irina Starshenbaum). Juntos, eles vão mudar a trajetória do rock n'roll na União Soviética.

No fundo, esta é uma história de músicos que lidam com várias camadas de frustração - cultural, artística, pessoal - mas que conseguem superar-se, de uma forma ou de outra. 
Na maior parte das vezes, Leto é filmado num preto e branco lustroso que às vezes pode parecer arenoso, mas na maioria das vezes transforma Leto num devaneio sobre rock 'n' roll, funcionando como uma história mais universal de luta e de sonhos. 

2018: Festival de Cannes: Melhor Compositor; Nomeado Palma de Ouro 
2019: Russian Guild of Film Critics: Melhor Realizador, Melhor Compositor
2019: Nika Awards: Melhor Realizador, Descoberta do Ano (Roman Bilyk) 

quinta — 8/08/2019

Drama - DE/FR, 2018, M/12, 101 min. V. O. em Alemão e Francês/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Christian Petzold
Argumento: Christian Petzold (Romance: Anna Seghers)
Fotografia: Hans Fromm
Com: Franz Rogowski, Paula Beer, Godehard Giese 
 

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Baseado livremente no romance de Anna Seghers de 1944. Como em Visa Transit, o filme justapõe passado, presente e futuro. O filme acompanha Georg, um técnico de rádio e televisão alemã, refugiado ilegalmente em França, que recebe de um parceiro a missão de entregar duas cartas a um escritor em Paris. Georg descobre que o escritor cometeu suicídio e que deixou um romance inacabado, um episódio que nos lembra a trágica morte de Walter Benjamin em 1940, também em França. As circunstâncias constrangedoras levam Georg a fazer-se passar pelo escritor falecido para obter um visto e fugir para o México. 

A particular característica atemporal da história é uma declaração evidente diante de questões políticas e sociais que ainda se encontram em vigor.

No ano passado abrimos a Mostra com Western, da colega de Petzold na “Escola de Berlim”, Valeska Grisebach, com outro ponto de vista menos metafórico, mas igualmente crítico de uma Europa e um mundo que força a mobilidade geográfica e a marginalidade, o que propicia um tipo de relações que não se chegam a desenvolver com fluidez.

2018: Festival de Berlim:  Selecção Oficial de longa-metragens em competição 
2018: BAFICI:  Selecção Oficial (Fora de Concurso) 
2018: Prémios do Cinema Alemão: Nomeada Melhor Filme, Melhor Som 

 

quarta — 7/08/2019

Drama - IT/CH/DE/FR, 2018, M/12, 125 min. V. O. em Italiano/Legendado em Português/English Subtitles

Realização e Argumento: Alice Rohrwacher
Fotografia: Helene Louvart
Com: Adriano Tardiolo, Luca Chikovani, Alba Rohrwacher, Sergi López

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Alice Rohrwacher, realizadora de O País das Maravilhas (2014), regressa com um filme que mistura o neorrealismo, a magia e a crítica social. 

Lázaro, um jovem camponês de uma bondade excepcional, vive na La Inviolata, uma aldeia que permaneceu isolada do mundo e é controlada pela Marquesa Alfonsina de Luna. Um verão, ele torna-se amigo de Tancredi. Entre eles surge uma amizade que faz com que Lázaro viaje no tempo e que o leva a conhecer o mundo actual. 

É O Idiota de Dostoiévski. Um personagem sábio e que, neste caso, não tendo perdido o  conhecimento da sua vida passada, é o único que sabe reconhecer os diferentes tipos de plantas. Um piscar de olho, sem dúvida, a Os Respigadores e a respigadora de Agnès Varda.

2018: Festival de Cannes: Melhor Argumento (ex aequo)
2018: Prémios do Cinema Europeu: 4 nomeações (incluindo Melhor Filme)
2018: Festival de Sitges: Prémio Especial do Júri, Secção Oficial em Competição 
2018: National Board of Review (NBR): Melhor Filme Estrangeiro do Ano 

terça — 6/08/2019

Drama - CH/FR, 2018, 84 min. M/14 - V. O. em Francês e Inglês/Legendado em Português/ English Subtitles

Realização e Argumento: Jean-Luc Godard 
Fotografia: Fabrice Aragno 
Com: Jean-Luc Godard (Narrador), Anne-Marie Miéville (Narrador), Dimitri Basil

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A mais recente e prolífica obra de Jean-Luc Godard, O Livro da Imagem, é o ápice do seu cinema de simbolismo e colagem. Não há actores. No máximo, ouvimos a voz eloquente e introspectiva de Godard, hoje com 88 anos, narrando o filme e refletindo sobre o nosso tempo, humanidade, sociedade e cinema. 

Para Godard, o cinema é o livro das imagens do século passado e do século de hoje; a documentação da história moderna e contemporânea. Através do Livro da Imagem, Godard convida-nos a reflectir sobre a história e constrói uma viagem numa colagem incessante de imagens e sons que permeiam a história da arte nas suas mais diferentes formas. Colando cenas de filmes, de reportagens, de vídeos caseiros e mesmo de desenhos, o cineasta aborda as funções do tempo e do espaço, utilizando em particular o caso das imagens sobre o mundo árabe e como elas são percebidas pelo mundo ocidental. É o trabalho de um cineasta que reflecte sobre o passado, sobre os seus filmes e os filmes do seu tempo - enquanto olha adiante, para as mudanças radicais que virão no cinema e no mundo em geral.

2018 : Festival de Cannes: Palma de Ouro Especial 
2018: International Cinephile Society Awards: Grande Prémio

segunda — 5/08/2019

Drama, Thriller - US, 2017, M/16, 133 min. V.O. em Inglês/Legendado em Português

Realização e Argumento: Paul Schrader 
Fotografia: Alexander Dynan
Com: Amanda Seyfried, Ethan Hawke, Cedric the Entertainer, Victoria Hill

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Toller (Ethan Hawke) é um ex-capelão militar que, após a morte do seu filho, decide assumir as rédeas de uma pequena igreja calvinista, First Reformed, onde quase ninguém vai e que cumpre uma função mais turística que religiosa. Até que aparece Mary a pedir ajuda para o seu marido, um ecologista radical que está a passar por uma profunda crise.

Schrader sempre sentiu uma predilecção pelo cineasta francês Robert Bresson. Portanto, não é de estranhar que ele tenha voltado a uma das principais obras daquele realizador, Diário de um Pároco de Aldeia. Também tem muito em comum com A Luz de Inverno (Os Comungantes) de Bergman. Um Ozu nos silêncios, nas breves meditações intercaladas na película do filme. E como não podia ser menos, temos o capelão Toller, eco de Travis do argumento do próprio Schrader para Taxi Driver.   
 
Com elementos de suspense e uma consistência formal realista, First Reformed está cheio de fugas e mudanças inesperadas. Um filme alegremente contra corrente que lida, entre outras coisas, com a solidão, a espiritualidade e a ameaça das alterações climáticas.

2018: Prémios Gotham: Prémio Melhor Argumento, Melhor Actor 
2018: Toronto Film Critics Association Awards: Prémio Melhor Actor, Prémio Melhor Argumento Original
2019: Óscar: Nomeado Melhor Argumento Original
 

domingo — 4/08/2019
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Para Roberto Rossellini, este é o seu filme mais original.  La macchina ammazzacattivi descobriu-se há poucos anos, depois de ter sido restaurada. Rosselini baseia-se no neorrealismo ou no realismo como ponto de partida, para então encontrar um caminho próximo à fábula, a partir de um texto de Eduardo de Filippo. Rossellini permite espaço para a fantasia, ainda que mantenha a improvisação respeitante ao guião, a rodagem documental de cenas reais despojadas de artifícios cinematográficos e a genuína mistura de actores profissionais com actores amadores no elenco dos seus filmes. 

Um modesto fotógrafo de uma pequena cidade costeira recebe de um estranho personagem — que lhe aparece apresentando-se como Santo André — o dom de petrificar qualquer pessoa ao tirar a sua fotografia. Celestino, assim se chama o fotógrafo, institui-se deste modo como uma espécie de justiceiro que decide indiscriminadamente sobre o bem e o mal. Celestino perde o controle da máquina: agora é ela quem o domina.    

Uma fábula sobre a desconfiança no poder da câmara (ou do cinema) para reproduzir a vida.

sábado — 3/08/2019

Drama - Fr/IL, 2019, M/14, 123 min. V. O. em Francês, Inglês e Hebraico/Legendado em Português/English Subtitles

Realização: Nadav Lapid
Argumento: Nadav Lapid, Haim Lapid 
Fotografia: Shai Goldman
Com: Tom Mercier, Quentin Dolmaire, Louise Chevillotte

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O drama migratório incomum do co-argumentista e realizador israelita Nadav Lapid segue Yoav (Tom Mercier), um jovem israelita determinado a apagar sua identidade nacional e tornar-se francês. Com a ajuda de um dicionário franco-israelita, ele resolve parar de falar hebraico, deixar para trás o seu passado conturbado e fazer o teste de naturalização.

Lapid apresenta variantes da identidade israelita em conflito, dando continuidade à investigação temática realizada nos seus dois primeiros filmes, Policeman e The Kindergarten Teacher. Ao colocar Synonyms fora de Israel, Lapid introduz pela primeira vez uma dimensão internacional explícita. Yoav imagina a França como uma utopia, cujos valores igualitários fundamentais - liberdade, igualdade, fraternidade - e estrita separação entre a Igreja e o Estado são o oposto dos valores de Israel.

Nadav Lapid continua a exibir uma mistura singular de intensidade e absurdo, bem como uma atenção distinta à arte cinematográfica. Trabalhando novamente com Shai Goldman (Director de Fotografia), ele cobre cenas inteiras com longos e médios close-ups, enquanto 'empurra' os personagens (e o espectador) até ao ponto de ruptura.

2019: Berlin International Film Festival: Urso de Ouro - Melhor Filme, Prémio FRIPESCI
2019: Sydney Film Festival: Nomeado Melhor Filme

sexta — 2/08/2019

Documentário - US, 2018, M/12, 130 min. V. O. em Inglês/Legendado em Português 

Realização e Argumento: Michael Moore
Fotografia: Luke Geissbuhler, Jayme Roy
Com: Michael Moore, David Hogg

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Michael Moore, grande realizador de documentários, vencedor de um Óscar por Bowling for Columbine e a Palma de Ouro por Fahrenheit 9/11, retrata uma vez mais a realidade sociocultural dos EUA e o momento político que o país vive neste momento.

O título Fahrenheit 11/9 faz referência ao seu aclamado documentário Fahrenheit 9/11 pela data na qual Donald Trump foi declarado presidente eleito, a 9 de Novembro de 2016. Michael Moore retrata a eleição presidencial de 2016 e os dois primeiros anos de mandato do presidente, tentando responder às duas questões mais importantes da era Trump: “Como diabo chegámos nós aqui?” e “Como é que saímos?" 

Moore espera que os factos mostrados no seu documentário sejam tão devastadores que o filme contribua para minar a credibilidade que Trump tem entre os seus seguidores. 

2018: Writers Guild Awards (WGA): Nomeado Melhor Argumento de Documentário
2018: Prémios Razzie - Pior Actor (Trump)